guru’s jazzmatazz, vol. 1

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esse som aí é como uma linha contínua e torta passando entre as pernas como uma jibóia de duas cabeças, vai-e-vindo como ancas de um traveco, forçando passagem às estocadas como uma furadeira de impacto, como um homem sem paciência, mas fina como a linha azul e incerta do incenso, mas densa como um projétil de chumbo, mas venenosa como uma mulher de cabelos anelados e como esses cabelos ardilosa, essa linha de baixo infiltrando o sangue, entorta as veias como arame farpado, forçando contorções e arrancos de epléptico, de bailarino, de craque de bola, de paralítico; esse som falando direto e torto ao baixo corpo, sexo entre movimentos, amor entre raivas – essa linha rasgada, lacerada, picotada, estuprada pelo cerol gritado, pelo saco de furores que esse grito cantado do sax atravessa e contamina de impurezas douradas, como se o gigante-do-pé-de-feijão caísse sobre a casa ao lado explodindo tripas perfumadas, discurso lancinante na voz dos cantores mudos, na língua das mulheres estupradas em coma por enfermeiros, parentes, vigilantes e outros que compram no paypal, uma ordem de socorro de quem não precisa salvação e se reparte entre todos os dramas vivíveis pelos demônios culpados – essa linha pisada pelo grave sem peso, pelo grave insustentável dessa voz de vela-de-sete-dias, dita entre o chão e o centro do mundo, desfilando insensível a horrores agudos, empurrando cinco dimensões ouvido dentro, rolando sobre a pele um tapete mal lavado com mel e esperma, sobre o qual singra como um rolo compressor com granadas e esgrimas e outras coisas que só sabe quem já ouviu.

aprenda mais na wikipédia.

eleições 2006, transmissão remota, cachoeira do teobaldo

neste último 29 do dez, estive em cachoeira do teobaldo, interior do interior de minas gerais, a serviço do tre. fui até lá fazer a transmissão via-satélite dos votos da seção ali instalada (dá até uma imagenzinha: a “esperança do povo” viajando pelo espaço, procurando um porto seguro, tecendo uma camada de ozônio de fé… q responsa, ser político!).

foi divertido montar o mini-circo tecnológico no meio do mato, foi curioso flagrar a luz elétrica chegando no lugar (registrado), foi revigorante ver roça de novo, foi resetante sair de bh e ver a q altura andam suas torres (nietzsche), e outros benefícios universais e/ou particulares da viagem (há ampla bibliografia sobre o assunto e, a quem interessar, adoro conversar a respeito).

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estação de trabalho

saí de bh um pouco apreensivo porque a conexão via satélite havia se mostrado instável durante os primeiros testes (em cima do carrefour da prudente), seja porque o satélite estivesse cochilando no lado escuro da lua, seja porque o sinal estivesse se afogando no céu nublado ou ricocheteando na montoeira de prédios. mas na hora H deu tudo certo.

 

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em busca do sinal perdido

nos instalamos, eu e éder, o motorista do tre, em pirapora, sede da zona eleitoral e onde se sua mais que tampa de chaleira. de lá a teobaldo, um chãozinho de asfalto, 120km de terra, passando por buritizeiro e pegando um pedaço da estrada para são romão. na primeira ida, fomos num golzinho velho da prefeitura de buritizeiro que chacoalhava mais que telefone celular na mão das minhas sobrinhas e, mesmo assim, fui tentando filmar e fotografar o cerrado, o caminho, o que pintasse na reta – e tome reta e terra (ora pó, ora lama).

à noite, a curtição era tomar uma nuns quiosques à beira do rio são francisco, em pirapora. tem uma prainha lá.

o dia da votação foi dividido em etapas:

  1. teste do equipamento, protocolos, contatos, toda a infra.
  2. passeio pelo corguinho, atrás da seção eleitoral.
  3. frango caipira e laranja do pé.
  4. sessão de fotos
  5. transmissão dos dados.
  6. volta pra casa com direito a pneu furado e vaga-lumes.

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a chegada ao asfalto

finda a eleição, encerramos o dia (eu, éder, a turma do cartório, amigos, familiares, emprestados) como sói: fechando os botecos da cidade.

mais fotos na minha página do flickr.
mais sobre buritizeiro na wikipédia e no blog de buritizeiro.
sobre pirapora tem muita coisa na web.
sobre cachoeira do teobaldo, quase nada.

renato negrão em ação

Concerto para o Erro é uma performance poética transtécnica de Renato Negrão, pautada pela proposição de imagens e texturas sonoras utilizando objetos, tecnologia precária, manuscritura, vocalização e poesia em off.

A ação tem como objeto o trânsito simultâneo entre concepção, laboração e resultado poético através de uma produção de sentido ou de uma estética da equivocação, fugindo dos efeitos imagéticos meramente ilustrativos. Ao signo busca-se a procura por sua síntese ou, de outra forma, seu esgarçamento, bem como a conciliação ou o choque na relação entre os elementos utilizados. Importa também a aposta na produção de ruídos em textos verbais e lineares.

Através da cena, a plasticidade, a ação física, da música, enfim, os elementos vebivocovisuais, esses responsáveis e insufladores do trânsito sinestésico entre os sentidos.”

 

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cultura afro nas escolas

em janeiro de 2003 foi sancionada pelo presidente a lei 10639, que torna “obrigatório o ensino sobre História e Cultura Afro-Brasileira”. trata-se de uma grande vitória de todos que lutam pelo pagamento da dívida histórica de nossa sociedade com o povo negro. daí, a alegria em divulgar ações nesse sentido.

“O Centro Cultural Casa África, em parceria com a Fundação Municipal de Cultura e PUC MINAS, convida você, professor(a), para o lançamento do catálogo de registro da experiência do projeto Cultura Afro nas Escolas, contendo referências bibliográficas, filmografias e endereços eletrônicos para subsidiá-lo, na sua disciplina, em relação às possibilidades de desenvolvimento de atividades que possam preencher as lacunas da Lei 10.639/2003.”

Museu Histórico Abílio Barreto – Av. Prudente de Morais, 202 / Cidade Jardim-BH

09 de novembro – quinta-feira

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quanto pior, melhor

está rolando a 5ª Edição da Bienal dos Piores Poemas. na última edição, fiquei entre os 20, com meus comparsas léo e letícia (provando que, quando se trata de ruindade, até que não sou dos piores). foi muito divertido, principalmente a fase de bolar os poemas, como já narrei aqui.
vale participar.

 

“BPP5

O Grupo Oficcina Multimédia da FEA está promovendo a 5ª Edição da Bienal dos Piores Poemas, um concurso de poesia que irá premiar os Piores Poemas. O tema da BPP 5 é Poema Homenagem direcionado a personalidades célebres do Brasil e do Mundo. Você pode mandar quantos poemas quiser, sempre com um pseudônimo que também pode variar. Para participar envie seu poema até o dia 10 de dezembro de 2006 para:

E-mail: bpp5@oficcinamultimedia.com.br

ou

Endereço:

Bienal dos Piores Poemas

Grupo Oficcina Multimédia

Rua Outono, 366 – Cruzeiro

Cep.: 30.310-020 - BH/MG”

frio na barriga

voltar a, ai jisuis, postar…

ainda um tanto medroso, quem diria?

Campanha de vacinação contra escândalos na véspera da eleição

“Atenção, atenção! Chamada para todos os cidadãos brasileiros: As previsões climáticas (e os melhores analistas políticos) apontam tempo altamente instável para esta semana: com grande tendência à forte chuva de boatos, que podem culminar em um terremoto midiático ou escândalos tempestuosos. Quanto mais nos aproximarmos da votação do segundo turno, maiores as chances de um cataclisma midiático. E, cuidado!, tudo será fortemente armado para que não exista tempo hábil para apuração dos fatos e culpados até a apuração das urnas!

Para se preparar para a tempestade que vem via antenas de TV e capas de revista e jornal e se precaver aos seus efeitos colaterais foi lançada a Campanha de vacinação contra escândalos na véspera da eleição!

Esteja vacinado e se prepare, pois essa semana muitas bombas, emails e manchetes de impacto virão!

Não deixe que esta eleição tenha um desfecho ‘indecente’, divulgue esta campanha!”

publicado originalmento no Vírgula-imagem.